quarta-feira, 10 de abril de 2013

Morrer é ridículo


Que me desculpe o Pedro Bial por pegar emprestado suas palavras, mas nada descreve melhor o que eu senti acerca dos fatos que contarei a seguir. Meu primeiro namoradinho por assim dizer, quer dizer, eu o considerava meu namoradinho e ele parece que não. Só sei que ele sofreu um acidente de moto ano passado, já pro final do ano e quebrou o maxilar além de ficar em coma. Passado o susto, ele ficou melhor, saiu do coma, mas ainda tinha o maxilar quebrado. Os médicos aguardavam ele sair do coma para operar seu maxilar, enquanto isso ele era alimentado por sonda. O pai dele notou que algo estava errado com seu filho, chamou o médico responsável e o mesmo informou que não havia nada de errado. O pai não se conteve e chamou outro médico que então identificou que a sonda havia sido introduzida de forma errada no corpo do rapaz e o alimento estava descendo para o pulmão ao invés de ir para o estômago. Nisso, tentaram consertar o erro, mas era muito tarde e ele veio a óbito. Bem, este fato me deixou extremamente revoltada, ele tinha no máximo uns 32, 33 anos. Sobreviveu de um acidente grave de moto para morrer de erro médico, isso é deprimente e revoltante. Afinal, que tipo de profissionais temos nos hospitais brasileiros? Pouco qualificados, mal remunerados, enfrentando jornadas ininterruptas de trabalho, sujeitos a violência de completamente à mercê do poder público. Claro que o mesmo se aplica ao que a população que necessita do SUS está vivendo, no completo descaso das autoridades, à mercê do poder público. Errar é humano, mas erro médico é grotesco, infelizmente todos estamos sujeitos ao erro, isso é natural, somos seres imperfeitos. Mas infelizmente profissionais da área médica trabalham com vidas, pessoas dependem eles para continuar vivendo. Quantos casos não vemos diariamente de pessoas que tiveram pinças abandonadas em seu corpo após uma cirurgia, uma menina morreu porque injetaram vaselina líquida em seu corpo ao invés de soro, outra foi tirar um curativo e teve seu dedinho amputado e é quase um bebê. Infelizmente casos assim tem enchido de manchetes os jornais. Me parece que trata-se de um completo descaso pela vida humana, tanto por parte dos profissionais quanto por parte do poder público que fecha os olhos diante do caos do sistema de saúde brasileiro e com isso somos constantemente vítimas de profissionais despreparados e mal remunerados. E não achem que tendo plano de saúde vão se livrar disso não, hospitais universitários, particulares, pronto-socorro, estamos sujeitos a isso em qualquer lugar. Além de tudo isso ainda tem o lado humano de todas essas histórias, histórias que vemos todos os dias, que podia acontecer conosco, um amigo que parte sem aviso, um parente, um irmão. Nunca perdi alguém tão próximo, mas tenho medo quando o dia chegar, porque assim como muitos, não sei entender a morte, não a compreendo e não sei viver o luto. Dizem que o luto é composto por três fases: a negação, que é quando você não consegue acreditar na perda; a raiva, que é quando você já se tocou que realmente perdeu a pessoa, mas se revolta contra o mundo por causa disso e finalmente a aceitação, que é quando percebemos que não há nada a fazer quanto a isso, somente aceitar. Bem, aos que já perderam alguém próximo e aos que vão perder espero sinceramente que aprendam alguma coisa com isso, porque não é fácil aprender algo quando se está revoltado. Nós não estamos prontos para aceitar a morte nem para vivê-la, principalmente num mundo em que as pessoas estão lutando contra o tempo e que a medicina estética só reforça que poderemos viver bem e belos durante muito tempo é muito triste ver pessoas jovens morrendo de maneira absurda. Quem sabe um dia entenderemos os motivos para tudo isso, essa é a minha esperança. Não compreendo porque bebês morrem sem nem ao menos terem vivido, não entendo porque jovens morrem e das maneiras mais ridículas possíveis. Ainda assim como já disse Gabriel, o Pensador: Pois quem quase morre está vivo, quem quase vive já morreu. Então só nos resta uma coisa a fazer, viver. Enquanto pudermos. 

4 comentários:

  1. É uma vergonha a saúde publica no Brasil!! Pensar nessas injustiças me tiram o ânimo para viver!
    Quanto à morte, essa é a única certeza que temos da vida, mas não devemos nos esquecer que temos uma esperança de vida melhor e eterna com Deus ^_^ (pelo menos eu tenho >.<)

    Adolecentro

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Realmente, Suzana, a saúde pública no Brasil é uma vergonha. Tbm espero que um dia todos iremos para um lugar melhor que este. Bjs

      Excluir
  2. Nossa que vergonha que me dá desse país... que triste o fim deste rapaz, o pior é que essa é só uma pequena amostra do que acontece todos os dias em nossos hospitais...
    beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, Roberta. É uma tremenda vergonha isso. E acontece o tempo todo, infelizmente. Bjs

      Excluir

Olá, comentários são sempre bem vindos, mas seja educado, educação nunca é d+. Abraços e obrigada pela visita.