quinta-feira, 16 de maio de 2013

Histórias de cachorro - parte 2

Minha paixão pelos bichos começou bem cedo, apesar de eu ter um pulmão e meio ainda assim sempre gostei muito de bichos peludos. Lá em casa desde a minha mais tenra infância tínhamos sempre um cachorrinho que volta e meia falecia sem motivo. Por isso passamos um longo tempo sem cachorro. Então chegaram os Jabutis, pequenos ainda, trazidos do Nordeste pela nossa tia que morava em Aracaju. Eles eram muito divertidos, comiam muito, hibernavam demais e andavam mais depressa do que os livros contam. Entravam dentro de casa sem nós vermos e quando assustávamos com um barulho estranho enquanto dormíamos, lá estava um deles se mexendo embaixo da cama. Então chegou o Overmars, um pincher maiorzinho, acho que 03, se é que existe. Fortinho, troncudo e nervosinho. Mas extremamente inteligente, Junto com o Over minha irmã ganhou de aniversário uma coelhinha, a Roberta, que inicialmente chamamos de Benito, pois a vendedora nos convenceu que era macho. Mais tarde fomos descobrir que era fêmea mesmo. Só sei que a Roberta era uma coelha linda, chegou tâo pequena que suas orelhinhas mal apareciam, ela era cinza de olhos castanhos e cresceu bastante. Passei a soltá-la no quintal de dia e ao final da tarde mandava Overmars pegá-la, então ela corria dele e se escondia atrás do tanque para então pergarmos e a colocarmos na gaiola para ela passar a noite. Robertinha passou a ser minha menina, todo dia eu tinha que pegar, beijar, a deixava solta no meu quarto, no colo, tirana milhares de fotos dela. E Over era uma paixão lá em casa, meu irmão, que ainda morava em Viçosa pois fazia faculdade lá vivia ligando para saber dele. Até que um dia Over ficou prostrado e com feridas estranhas. Minha irmã desconfiou que era leishmaniose. O exame demorou séculos para chegar e minha irmã decidiu tratar dos sintomas antes que fosse tarde, afinal mal não faria. O primeiro exame deu negativo, na verdade um falso negativo, pois o segundo deu positivo. E infelizmente o tratamento demorou demais, o pobrezinho agonizou e partiu para o céu dos cães. Choramos muito, é claro, afinal uma convivência de 9 anos com um cão é uma vida bem longa. E ele era um bom cachorro, bom mesmo. Pouco tempo depois uma ferida apareceu na barriga de Roberta, tratei com pomada de gente e melhorou bastante, ela começou a comer de novo, pois estava prostrada e bem magra. Não demorou muito e ela emagreceu horrores e infelizmente para coelhos não há alternativa, pelo menos não na minha cidade, onde não há veterinários de outros tipos de animais de estimação a não ser cães e gatos. Era um domingo ensolarado quando eu a peguei nos braços com a minha toalha e a respiração dela estava ofegante, sabia que ela estava nas últimas. Pedi para que Deus a levasse logo, porque ela realmente não estava bem. Mas ao mesmo tempo eu queria tanto que ela não em deixasse. Mas fazer o que, uma hora eles têm que partir. E eu furei o buraco e a enterrei enrolada na minha toalha laranja lá no quintal de casa. Roberta se foi aos 6 anos de idade. Pouco depois de Roberta chegar, minha irmã ganhou um coelho preto de um mágico. Lindo demais, achamos também que era macho, o chamamos de Marcelinho. E mais tarde descobrimos que também era fêmea. E ele era tão bonzinho, não mordia e era tão fofinho. Cresceu como a Roberta, ficou grande e gordo. E passou a se chamar Marcelinha. Um domingo saímos para almoçar na casa de nossa avó. Deixamos Marcelinha presa nna gaiola com água e comida, sob a sombra de uma jabuticabeira que há lá em casa. Quando voltei e fui ver o bicho, minha irmã já estava chorando dizendo que ele tinha morrido. Não acreditei. Encostei o dedo nele e estava durinho e ainda de olho aberto. Muito surreal, o bicho não pegou sol, não passou fome, morreu de repente, tinha uns 3 anos. Desabei em lágrimas e meu irmão disse que cuidava de tudo, que ele mesmo ia enterrar. Só sei que a morte é triste mesmo para quem fica. Ainda choro quando lembro dos que se foram e sei que vou sofrer muito quando Lola se for. Acho que quem morre sempre leva um pouco da gente, Pelo menos no meu caso acho que parte de mim que não volta mais se foi com eles. Mas infelizmente todos vamos morrer e ainda vamos perder muitos que amamos, pena que bichos vivem tão pouco. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá, comentários são sempre bem vindos, mas seja educado, educação nunca é d+. Abraços e obrigada pela visita.